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sábado, 3 de novembro de 2012

Lançamento EP

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You Lovely Giant

Sabe aquela lengalenga de gente mais velha, de quando antes da internet ouvia-se falar da banda anos antes de ter acesso ao som em si? Poisé, por sem-vergonhice mesmo, a Baztian para mim era mais o nome do que a música até pouco tempo. O sentimento era parecido com o dali de cima, ouvia falar, imaginava como era pela descrição e por conhecer os menino, enfim, sacava o... conceito. Tudo errado tudo errado.
Se tem uma coisa que se ouve nas cinco músicas desse EP é que a Baztian não é uma banda de conceito. O negócio é mais embaixo, literalmente. É música das entranhas, sincera, vem de dentro e sai expelida em gritos, sejam eles as esgoeladas do Caíque, a verdadeira porrada que é o baixo do Alcyr ou as descidas de mão do Rodolfo na bateria. Não é racional, muito menos sútil. É música com emoção, é emo.
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E sem frescura aqui. É emo mesmo, mas bem longe do chamado emocore aí da TV. O lance aqui é emo de raiz. Mesmo vindo de histórias musicais diferentes, Alcyr, Caíque e Rodolfo se encontram (mas não só) ali na segunda metade dos anos 90, Sunny Day Real Estate, Cursive, Mineral, por aí.
Então tu sabe o que esperar né garotão esperto? Músicas que mudam de direção, paradas bruscas, um dedilhadinho de guitarra safado que explode de repente, e aquela bateria marcada que não dá para não acompanhar com o pé, mesmo que discretamente.
É música para ouvir na segunda de manhã, antes de ir pro trabalho, puto com a vida. É música para ouvir tarde da noite no sábado, quando você ficou em casa e tem certeza que o mundo inteiro está melhor que você. É a música para ouvir quando quer que tudo se foda, mas no fundo no fundo espera que um dia tudo fique bem.
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Drunk Drivers: A primeira já é o hit pro cara não ter dúvidas né. Um riffzinho Smashing Pumpkins para prender a atenção, o refrão super melódico mais lento e já era , de cantar junto com os olhinhos fechados. De quebra, o final simples é daqueles que ao vivo podia estender a música pra muito mais que os quatro minutos, repetindo sem parar.
Broken Beer Glasses: Bateria e baixo abrem aqui num esquema marcadão, como se o krautrock tivesse surgido em Washington nos anos 80, ou seja, quase Fugazi . Até quase metade da música o grave do baixo e os agudo da guitarra puxam cada um pro lado, como se tu tivesse dois caminhos pra seguir e dedicar tua atenção. Mas aí mermão, ali na meiuca, quase dois minutos e meio, quando eles se juntam pela segunda vez no refrão, aparece aquele momento EMO gritado que era esperado, mas nem por isso não te agarra pelo pescoço. E ainda tem um solinho J Mascis desacelerado.
Ghost + Flowers: Porrada. Nem se deixe enganar pelo comecinho, é a música mais pesada, o momento de desespero, eles dão uma trégua breve com um interlúdio meio torto, mas tudo volta. A segunda metade só cresce e culmina nos gritos mais fodas do Caíque no disco inteiro. Esse negócio de ouvir vozes né brincadeira não.
Bright Nights: Essa começa melódica e melancólica. Até que vem o refrão e revira tudo com uma bateria quadradona que é só o começo - aí um riff solitário de baixo abre dois minutos da autêntica viagem de guitarra estilo 90’s, daquela boa de fazer air guitar enquanto toma banho. Coisa fina. "There’s no wrong or right" e "as we go up we go down".
I Might Fail Again: Fecha com essa quase baladinha. É a música com os momentos mais calmos e a guitarra mais limpa do EP, o que não quer dizer que seja leve. A bateria em marcha leva o ritmo na maior parte do tempo, e surpreende ali antes dos dois minutos quando faz exatamente o contrário do esperado, até entregar para o final perfeito – para a música e para o disco.
Então é o seguinte galere: baixa logo, compra quando tiver uma grana de sobra e vai num show da Baztian se rolar perto de casa. E se não der, trata de começar uma campanha no kickstarter pra levar a rapaize prum palco aí do lado.
Baztian é:
Alcyr Vergetti no baixo
Caíque Guimarães na guitarra e vocal
Rodolfo Lima na bateria e backing vocals
Gravado e Mixado no Estúdio Popfuzz por Tales Maia
Masterizado no Megafone Estúdio por Eduardo Pinheiro
Arte por Anny Garcia
©2012 Coletivo Popfuzz | Maceió, Alagoas

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