Pvhcaos - AO VIVO

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Festejo Beradero


Gestão Ambiental Participativa Comunitária

A programação do Festejo BeradeRO – 20 Anos de Kanindé, inicia sua maratona de atividades na próxima Segunda-Feira (19), com o lançamento do projeto Gestão Ambiental Participativa Comunitária. O projeto financiado pelo Fundo Municipal de Meio-Ambiente, é a mais nova iniciativa da ONG que completa seus 20 anos, e lança seu primeiro projeto dentro de Porto Velho, cidade da qual esta instalada a sua sede.
O lançamento do projeto acontece Segunda-Feira (19) a partir das 09h da manhã na Escola Flamboyant, compareça!!!!

domingo, 18 de novembro de 2012

FESTEJO BERADERO

Inscrições Abertas – Oficina de Home Studio

Festejo BeradeRO – 20 anos de Kanindé abre inscrições para produtores, músicos e entusiastas da cadeia criativa da música a participarem da oficina de formação de Home Studio durante os dias 21 e 22 de Novembro de 2012.
Claudio Raffaello (DJ Raffa) vai apresentar a produção musical dentro do estilo da música eletrônica (tecnologia da música). No ínicio da oficina vai acontecer o lançamento do Estúdio Floresta Sonora, um projeto da Kanindé que prevê a realização de várias produções no Centro de Cultura e Formação Kanindé.
Acesse o link e faça sua inscrição ->http://bit.ly/So5K0h

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Vem Aí


Edital de Vivência Festejo BeradeRO – 20 anos de Kanindé – Porto Velho/RO

O campus temporário da Universidade Fora do Eixo abre inscrições para vagas de vivências em Porto Velho/RO. Os interessados podem se inscrever nas áreas de produção e comunicação com foco nas áreas de Assistência de produção de Palcos e Apoio de Roadie, Assessoria de Comunicação Digital  e Apoio na Coordenação do Transporte, Alimentação e Hospedagem.
O período de vivência acontece de 15 a 25 de Novembro onde os selecionados participarão de metodologias não grade além de atividades de integração e formação livre como Conversas Infinitas, Vivências, Debates, Oficinas e muita programação cultural durante o Festejo BeradeRO.
O Festival BeradeRO – 20 anos de Kanindé é uma realização da Casa Fora do Eixo Rondônia, Casa Fora do Eixo Amazônia, Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé e Movimento Hip-Hop da Floresta. Integrado ao Circuito Amazônico de Festivais Independentes e a Rede Brasil de Festivais Independentes. As atividades de formação contam com o reforço da Universidade Fora do Eixo, Universidade livre da Cultura e Cultura de Red.
As inscrições já estão abertas! Elas são gratuitas e indicadas a todos os interessados. Leia o Edital completo e preencha o Formulário de Inscrição.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Conversa ao Vivo


BBC BRASIL


Menino com câncer é tratado com maconha ‘sem barato’


David Sabach (Foto BBC)
David Sabach não podia andar por causa das dores nas pernas
Diagnosticado com câncer, o garoto David Sabach, de 12 anos, está sendo tratado com um tipo especial de maconha medicinal desenvolvida por cientistas israelenses que ficou conhecida como "maconha sem barato".
Em sua casa, em Israel, David guarda fotografias que são um registro dramático de seu estado há dois anos. Na época, por causa da quimioterapia, ele perdeu todo o cabelo e seu peso chegou a metade do que é hoje.
"Eu costumava tomar morfina para a dor, mas o efeito não durava mais que alguns minutos", conta o menino.
Hoje, David recebe doses da maconha especial, adicionada a chocolates, biscoitos e bolos. "O efeito da cannabis dura todo o dia. Sinto-me muito melhor. Finalmente, posso andar sem chorar por causa da dor nas pernas", diz.
A maconha medicinal tem sido usada em Israel desde os anos 90 para o tratamento de uma série de doenças, entre elas câncer, Mal de Parkinson, esclerose múltipla e síndrome de Tourette.
Recentemente, porém, cientistas ligados a empresa Tikkun Olam desenvolveram um tipo especial dessa maconha neutralizando a substância THC (tetrahidrocanabinol), que gera os efeitos cognitivos e psicológicos da droga.
Além disso, a nova variedade da planta tem uma concentração mais elevada da substância canabidiol (CBD), um poderoso anti-inflamatório.

Nova imagem



Cannabis (Foto BBC)
Substância CBD, presente na cannabis é um poderoso anti-inflamatório

O resultado é uma maconha com as mesmas propriedades medicinais da cannabis tradicional, mas sem o "barato" que faz com que muitos se oponham ao uso medicinal da planta.
"O canabidiol não se fixa às células do cérebro, então, após ingerir essa substância, o paciente não tem nenhum efeito colateral indesejado", diz Ruth Gallily, professora de imunologia na Universidade Hebraica de Jerusalém, que estuda os efeitos medicinais da cannabis há 15 anos
"Os pacientes não têm 'barato' e não ficam confusos. Podem dirigir, trabalhar e fazer suas tarefas do dia a dia."
A cannabis é considerada uma droga ilegal em Israel, mas a Tikkun Olam obteve uma licença especial do Ministério da Saúde para desenvolver a maconha medicinal e cultiva diversas variedades da planta em estufas na Galileia, no norte de Israel.
De acordo com Zachi Klein, diretor de pesquisa da empresa, mais de 8.000 doentes em Israel já são tratados com cannabis, recebendo a substância após mostrarem receitas médicas autorizadas pelo Ministério da Saúde.
Klein explica que pelo menos três categorias de pacientes devem se beneficiar da nova variedade de maconha medicinal.
Primeiro, as pessoas que precisam continuar a trabalhar durante o tratamento. Segundo, os idosos, porque eles seriam muito sensíveis ao THC. Por fim, crianças como David.

Críticas

Funcionária da Tukkun Olam (Foto BBC)
Funcionária da Tukkun Olam prepara maconha medicinal

Para alguns críticos da nova "maconha sem barato", porém, é a combinação do THC com o CBD que trás mais benefícios para os pacientes.
Um paciente de câncer de 52 anos que pediu para não ser identificado, por exemplo, explicou à BBC por que acredita que a maconha tradicional é a ideal para o seu tratamento.
"(A cannabis tradicional) não só ajuda a aplacar a dor mas também contribui para que tenhamos mais vontade de comer", disse o paciente, que teve um tumor no estômago removido há cinco meses e combina o uso de maconha com quimioterapia.
"O corpo não pode lutar sem combustível e um dos efeitos maravilhosos da maconha é que ela causa o que é conhecido como "larica" (fome), que para quem faz quimioterapia é uma benção."

Scubidu Music

BBC NEWS

Iniciativa muito legal da Embaixada.

Arigatô Gozay omasta!


            

            

            

            

            

            

       

            

        





A fachada da embaixada do Brasil em Tóquio, no requintado bairro de Aoyama, ganhou cores e desenhos que chamam a atenção de quem passa por lá.
Trabalho de Titi Freak e Presto foi transmitido ao vivo pela internet
Durante cinco dias, os grafiteiros Hamilton Yokota, mais conhecido como Titi Freak, e Marcio Penha, o Presto, transformaram o espaço numa verdadeira obra de arte a céu aberto.
Todo o processo pode ser acompanhado ao vivo pela internet. Uma equipe de vídeo ficou de plantão e registrou com duas câmeras toda a transformação do muro.
Chamado de "Live Graffiti @ Brazilian Embassy", o projeto fez parte da Tokyo Designers Week, uma semana repleta de atividades na capital japonesa ligadas à arte em geral.
"Para esse trabalho, exploramos bastante os elementos regionais e folclóricos da nossa cultura brasileira", contou Presto à BBC Brasil.
A obra dos brasileiros na embaixada brasileira poderá ser vista até meados de janeiro de 2013.
"Foi uma iniciativa de muita coragem por parte da embaixada, porque por mais que o grafite já esteja incorporado à cultura brasileira e já faça parte da nossa paisagem urbana, aqui ainda é algo muito desconhecido", diz Presto.
"Acho muito corajoso trazer essa técnica para o público japonês, que não está muito acostumado e poderia até ficar chocado com nossa ação. Mas está sendo muito bem recebida e estou muito orgulhoso de participar disso."
Titi concorda com o companheiro de trabalho. "Durante esses dias, as pessoas começaram a perceber esse mural e a ter uma participação com a gente. Pelo que vimos, as pessoas estão felizes com o painel, pois aqui não tem muito esse tipo de intervenção artística."
Grafite na embaixada tem elementos da cultura e do folclore do Brasil
A japonesa Tamiko Kanaya foi uma das que registrou todo o processo. "Trabalho aqui perto e vim todos os dias para ver a evolução do mural", contou. "Estou surpresa com essa arte, tão rica em detalhes. É uma verdadeira interação com a cidade, com o concreto e com os moradores", emendou.

Experiência

Os dois artistas são mestres em intervenções urbanas. Presto já fez várias exposições e deixou sua marca em diversos projetos pelo Brasil.
Para Tóquio, ele também levou uma exposição de fotos, quadros, adesivos e desenhos, que fica exposta até dia 14 de novembro na própria embaixada brasileira.
Já Titi, que mora há um ano em Osaka, realizou um projeto artístico recentemente em parceria com a Fundação Japão e apoio da Embaixada do Brasil em Tóquio, nos alojamentos temporários para vítimas do tsunami na cidade de Ishinomaki.
Além de São Paulo, as obras do artista já foram exibidas em galerias de Londres, Madri, Paris, Newcastle, Tóquio, Osaka, Nova York, Los Angeles, Vancouver e Berlim.



PvhCAOS - metendo tinta.....

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Noticias BBC


Saiba como outros países empregam o dinheiro do petróleo


Atualizado em  7 de novembro, 2012
Após dois anos de discussão, a Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira o projeto de lei que muda a distribuição dos royalties do petróleo entre Estados, municípios e governo federal no Brasil.
O petróleo gera grandes riquezas para os governos de diferentes formas – através de impostos sobre a venda do produto ou através de lucros das companhias petrolíferas, nos casos em que o governo tem alguma participação na empresa ou até o seu controle acionário total.
Além de impostos e lucros, a principal fonte de riqueza para muitos governos são os royalties. No caso do Brasil, os royalties são 15% do valor produzido.
Em tese, os royalties são apenas uma compensação paga a Estados e municípios produtores para cobrir diferentes custos relacionados à exploração dos recursos naturais, como investimentos em infraestrutura e danos ambientais.
Mas, como o petróleo é considerado um patrimônio nacional, a questão dos royalties ganha contornos estratégicos que determinam como os países lidam com suas riquezas naturais.
Cada nação tem formas diferentes de tratar os royalties.
No Brasil, o governo tentou inovar ao incluir no Projeto de Lei a destinação obrigatória de 100% dos royalties do petróleo para gastos com educação. No entanto, este item foi derrubado pelos deputados da Câmara.
Já na Noruega, os royalties são investidos em um fundo especial que tem como objetivo pagar as aposentadorias da população no futuro.
Confira abaixo quatro modelos distintos de uso do dinheiro do petróleo.
Escola no Brasil
No Brasil, Estados e municípios terão direito a quase 80% dos royalties, pela proposta aprovada na terça-feira.
O regime de distribuição de royalties do petróleo brasileiro começou a ser repensado depois da descoberta de grandes reservas na camada pré-sal do litoral brasileiro. O debate foi dominado por uma questão: quanto da riqueza do petróleo pertence aos Estados e municípios produtores, e quanto pertence ao resto do Brasil?
Em 2010, deputados propuseram a "Emenda Ibsen", que ignorava as regiões produtoras e tratava todos os Estados da federação da mesma forma. No entanto, a proposta foi vetada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Dois anos depois, a questão ainda está sendo discutida. Os políticos chegaram a uma fórmula progressiva – que gradualmente vai retirando recursos dos Estados produtores e da União, e repassando mais dinheiro para os demais Estados e municípios brasileiros.
No último mês, o debate ganhou outra dimensão. O relator da proposta, Carlos Zarattini (PT-SP), incluiu uma reivindicação da presidente Dilma Rousseff de que 100% dos royalties do petróleo devem ser investidos em educação.
O objetivo da medida era cumprir uma regra do Plano Nacional de Educação, que exige que o Brasil invista 10% do seu PIB em educação. No entanto, esse item da proposta foi derrubado pelos deputados.
O texto que foi aprovado na terça-feira permite que Estados e municípios gastem nas seguintes áreas: infraestrutura, educação, saúde, segurança, erradicação da miséria, cultura, esporte, pesquisa, ciência e tecnologia, defesa civil, meio ambiente, mitigação das mudanças climáticas e tratamento de dependentes químicos.
A proposta aprovada no Congresso ainda precisa ser sancionada pela presidente.

Coletivo C.A.O.S. - acesse e conheça



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sábado, 3 de novembro de 2012

Lançamento EP

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You Lovely Giant

Sabe aquela lengalenga de gente mais velha, de quando antes da internet ouvia-se falar da banda anos antes de ter acesso ao som em si? Poisé, por sem-vergonhice mesmo, a Baztian para mim era mais o nome do que a música até pouco tempo. O sentimento era parecido com o dali de cima, ouvia falar, imaginava como era pela descrição e por conhecer os menino, enfim, sacava o... conceito. Tudo errado tudo errado.
Se tem uma coisa que se ouve nas cinco músicas desse EP é que a Baztian não é uma banda de conceito. O negócio é mais embaixo, literalmente. É música das entranhas, sincera, vem de dentro e sai expelida em gritos, sejam eles as esgoeladas do Caíque, a verdadeira porrada que é o baixo do Alcyr ou as descidas de mão do Rodolfo na bateria. Não é racional, muito menos sútil. É música com emoção, é emo.
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E sem frescura aqui. É emo mesmo, mas bem longe do chamado emocore aí da TV. O lance aqui é emo de raiz. Mesmo vindo de histórias musicais diferentes, Alcyr, Caíque e Rodolfo se encontram (mas não só) ali na segunda metade dos anos 90, Sunny Day Real Estate, Cursive, Mineral, por aí.
Então tu sabe o que esperar né garotão esperto? Músicas que mudam de direção, paradas bruscas, um dedilhadinho de guitarra safado que explode de repente, e aquela bateria marcada que não dá para não acompanhar com o pé, mesmo que discretamente.
É música para ouvir na segunda de manhã, antes de ir pro trabalho, puto com a vida. É música para ouvir tarde da noite no sábado, quando você ficou em casa e tem certeza que o mundo inteiro está melhor que você. É a música para ouvir quando quer que tudo se foda, mas no fundo no fundo espera que um dia tudo fique bem.
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Drunk Drivers: A primeira já é o hit pro cara não ter dúvidas né. Um riffzinho Smashing Pumpkins para prender a atenção, o refrão super melódico mais lento e já era , de cantar junto com os olhinhos fechados. De quebra, o final simples é daqueles que ao vivo podia estender a música pra muito mais que os quatro minutos, repetindo sem parar.
Broken Beer Glasses: Bateria e baixo abrem aqui num esquema marcadão, como se o krautrock tivesse surgido em Washington nos anos 80, ou seja, quase Fugazi . Até quase metade da música o grave do baixo e os agudo da guitarra puxam cada um pro lado, como se tu tivesse dois caminhos pra seguir e dedicar tua atenção. Mas aí mermão, ali na meiuca, quase dois minutos e meio, quando eles se juntam pela segunda vez no refrão, aparece aquele momento EMO gritado que era esperado, mas nem por isso não te agarra pelo pescoço. E ainda tem um solinho J Mascis desacelerado.
Ghost + Flowers: Porrada. Nem se deixe enganar pelo comecinho, é a música mais pesada, o momento de desespero, eles dão uma trégua breve com um interlúdio meio torto, mas tudo volta. A segunda metade só cresce e culmina nos gritos mais fodas do Caíque no disco inteiro. Esse negócio de ouvir vozes né brincadeira não.
Bright Nights: Essa começa melódica e melancólica. Até que vem o refrão e revira tudo com uma bateria quadradona que é só o começo - aí um riff solitário de baixo abre dois minutos da autêntica viagem de guitarra estilo 90’s, daquela boa de fazer air guitar enquanto toma banho. Coisa fina. "There’s no wrong or right" e "as we go up we go down".
I Might Fail Again: Fecha com essa quase baladinha. É a música com os momentos mais calmos e a guitarra mais limpa do EP, o que não quer dizer que seja leve. A bateria em marcha leva o ritmo na maior parte do tempo, e surpreende ali antes dos dois minutos quando faz exatamente o contrário do esperado, até entregar para o final perfeito – para a música e para o disco.
Então é o seguinte galere: baixa logo, compra quando tiver uma grana de sobra e vai num show da Baztian se rolar perto de casa. E se não der, trata de começar uma campanha no kickstarter pra levar a rapaize prum palco aí do lado.
Baztian é:
Alcyr Vergetti no baixo
Caíque Guimarães na guitarra e vocal
Rodolfo Lima na bateria e backing vocals
Gravado e Mixado no Estúdio Popfuzz por Tales Maia
Masterizado no Megafone Estúdio por Eduardo Pinheiro
Arte por Anny Garcia
©2012 Coletivo Popfuzz | Maceió, Alagoas

Época



MALI  -= revistaepoca
TAMANHO DO TEXTO

Extremistas da África têm um novo inimigo: a música

Islamistas ligados à Al-Qaeda proíbem o trabalho de músicos do Mali, entre eles alguns dos maiores artistas da atualidade

ROGÉRIO SIMÕES



Palco do Festival do Deserto, em Timbuktu, no Mali, em janeiro de 2012 (Foto: Alfred Weidinger)
A paisagem em transformação, da terra rosada do Sahel para o dourado das areias do Saara, sugeria que o deserto estava perto. A placa mostrava a distância: 33 quilômetros até Essakane, base do Festival do Deserto, evento musical organizado por tuaregues no norte do Mali desde 2001. O ano era 2007. A guerra civil entre tuaregues e o governo central fora formalmente encerrada em 1996, com a queima de mais de 3 mil armas na mítica cidade de Timbuktu. O clima era de paz, e a música celebrava o presente e o futuro do país. O Festival do Deserto de 2007 emocionou as centenas de estrangeiros que, como eu, viveram a experiência única de três dias de shows ao vivo sobre um palco montado nas areias do Saara. Cinco anos depois, a triste notícia: as armas voltaram a calar os acordes africanos. Dessa vez, carregadas por fundamentalistas islâmicos ligados à Al-Qaeda no Magreb, que tomaram o controle de mais uma rebelião tuaregue por independência. Após aplicar elementos da lei islâmica no norte do Mali, entre eles a punição física de criminosos em público, os fanáticos da Al-Qaeda acabam de fazer o impensável: proibiram a música.
Nesta foto de 31 de agosto, membros do grupo armado de extremistas islâmicos  Ansar Dine em Timbuktu (Foto: Arquivo/AP)
É difícil imaginar uma tragédia cultural de maior proporção em outra parte do mundo. O Mali, de maioria muçulmana e presença constante na lista das nações mais pobres do planeta, com 15 milhões de habitantes e um PIB per capita de US$ 1.100 (um décimo do brasileiro), respira música. Os sons de instrumentos como ngoni (uma minúscula guitarra de madeira), kora (semelhante à harpa) ou djembe (percussão feita com pele de bode) dão vida ao país e identidade à população. Nos últimos 20 anos, transformaram o Mali em um grande exportador de música de qualidade. O bluesman Ali Farka Touré, morto em 2006; seu filho Vieux Farka Touré; os grupos tuaregues Tinariwen e Tartit; o casal de cegos Amadou & Mariam, que há anos põe a Europa para dançar; o gênio do ngoni Bassekou Kouyaté; a cativante voz de Salif Keita; a diva Oumou Sangaré, dona de uma das mais belas vozes do planeta; o rei do balanço Habib Koité; o mago da kora Toumani Diabaté. A lista de artistas do Mali que conquistaram admiradores além de suas fronteiras é interminável. Para o mundo todo, eles têm sido um presente dos berços da humanidade. Para a Al-Qaeda, são agora criminosos em seu próprio país.
Os organizadores do maior evento musical do Mali sabem que não poderão produzir uma nova festa musical nas areias de Essakane enquanto a Al-Qaeda controlar a região. Sabem também que sua música pode ser a maior arma contra os fundamentalistas e decidiram não se render. Nos meses de fevereiro e março de 2013, o Festival do Deserto, que já atraiu astros ocidentais como Robert Plant (Led Zeppelin) e Damon Albern (Blur), do Blur, será realizado fora da região e em outros países, numa caravana típica da tradição nômade dos tuaregues. Será a vez do Festival do Deserto no Exílio. Shows serão realizados em outras cidades do Mali, como Segou e a capital, Bamako, ainda controladas pelo governo central. Três dias de espetáculos no vizinho Burkina Faso e turnês na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia levarão ao exterior o apelo dos músicos do Mali: que sua música não seja calada pelo extremismo religioso.
O cantor e guitarrista Vieux Farka Touré se apresenta em um evento da Fifa em Joanesburgo, na África do Sul, em 2010 (Foto: Michelly Rall/Getty Images for Live Earth Events)
A vibrante diversidade musical do Mali tem origem na mistura de etnias e línguas do país. Bamako, onde se fala a principal língua malinesa, o bambara, é uma capital tipicamente subsaariana, com mulheres exibindo suas belas roupas coloridas pelos mercados da cidade. Na região do Sahel, uma espécie de zona intermediária entre as savanas do sul e o deserto do norte, muitos falam songhai . O povo Dogon, que habita montanhas na região, tem sua própria língua e cultura, enquanto os tuaregues do deserto comunicam-se – e cantam – em tamasheq. Em comum entre eles, além da extraordinária riqueza cultural, está a pobreza material, visível na falta de saneamento básico e infraestrutura por todo o país.
A perspectiva de um Mali sem música assusta seus mais célebres embaixadores culturais. Toumani Diabaté, que gravou o disco “A Curva da Cintura” com Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra, teme pelo futuro do Mali. Diabaté disse ao jornal britânico The Guardian que a música é “a riqueza mineral” do seu país. “Música é o nosso combustível.” A banda Tinariwen, que se apresentou com suas túnicas e guitarras no Brasil em 2011, sempre fez questão de manter a sua própria região como base. Mais precisamente, a cidade de Kidal, no meio do deserto. Nas últimas semanas, Kidal tem sido palco do avanço dos fundamentalistas sobre a música, com apreensão e queima de instrumentos. Artistas locais receberam a ameaça: se voltaram a tocar, seus dedos serão cortados.
O grupo Tinariwen durante uma apresentação no Festival Coachella, na Califórnia, em 2009 (Foto: Michael Buckner/Getty Images)
Alguns integrantes do Tinariwen conhecem bem quem os ameaça. Nos anos 1990, estiveram ao lado de Iyad Ag Ghaly em combates contra tropas do governo do Mali, no levante por mais direitos ao povo tuaregue. Os artistas-combatentes do Tinariwen, que sobre seus camelos carregavam rifles junto às suas guitarras, deixaram a luta armada de lado em favor da música. Ghaly não apenas manteve sua crença no confronto militar como se radicalizou. Tornou-se um islâmico fundamentalista e hoje lidera o grupo Ansar Dine. Depois de vencer as tropas do governo na revolta do início deste ano e declarar a independência da região desértica do Azawad, o Ansar Dine deseja agora impor a sharia (lei islâmica) em todo o Mali. Para isso, aliou-se à Al-Qaeda do Magreb no norte do país. As aspirações de autonomia ou independência do povo nômade do deserto foram sequestradas por aqueles que desejam transformar o Mali em uma espécie de reino talebã. Em agosto, um decreto dos islamistas proibiu a execução de música ocidental na cidade de Gao. “Não queremos a música de Satã”, diz o decreto, segundo oGuardian. “Ela deve ser substituída pelos versos do Corão.”
Enquanto organizam apresentações fora do Mali, os artistas tentam garantir sua segurança pessoal. Em Niafunké, tomada pelos radicais, nenhum músico sente-se seguro. Nascido na cidade, Vieux Farka Touré, estrela em muitos festivais de música pelo mundo afora, em que carrega a chama criativa do seu pai Ali Farka, foi obrigado a deixar a cidade e se abrigar em Bamako. A própria capital, cuja cena musical é uma das mais ricas da África, foi abalada. Depois do golpe militar do início do ano, realizado com a justificativa de reforçar as Forças Armadas para enfrentar a rebelião no norte, o clima é tenso. Bares que antes reuniam moradores e músicos para longas noites de shows informais, estão fechados. As esperanças dos músicos malineses está depositada na comunidade internacional. O Conselho de Segurança das Nações Unidias avalia a possibilidade de formar uma força internacional para colocar um fim ao conflito interno e impedir que o Mali torne-se uma nova base do radicalismo islâmico, como o Afeganistão ou a Somália. Em jogo, está o futuro de uma admirável nação, sempre disposta a compartilhar com o mundo o seu maior patrimônio.

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Jornal da USP Livro reúne ensaios sobre história social do humor Em nova obra, o professor Elias Thomé Saliba, da USP, analisa dife...